09/06/2010

JORNAL UNICAMP

www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/junho2010/.../Pag0203.pdf

Essa reportagem merece destaque e considerações sobre a competência, coragem e inovação de Regiane Pinheiro Agrella que apresentou, em Libras, seu memorial para obtenção do título de mestre na Faculdade de Educação (FE) da Unicamp. Além de ser a primeira aluna surda a apresentar a dissertação em língua de sinais na Universidade.
Uma autorização concedida pela Coordenadoria de Pós-Graduação da FE para que a prova fosse realizada tanto em português quanto em libras mudou a história profissional das alunas e a história da pós-graduação da FE.
“Com esta dissertação, mostramos que é possível garantir a formação do pesquisador surdo mesmo que ele não tenha como primeira língua o português, e sim a língua de brasileira de sinais. É uma grande inovação em termos de inclusão na Unicamp”, explica Regiane.
A relação do ser humano com a língua de sinais deve começar na sala de aula, onde, na opinião de Regiane, ela tem de ser amplamente ensinada.
“Estamos no terceiro milênio e talvez as teses também pudessem ser feitas em línguas de sinais com legenda em português, em forma de documentário em libras, sem fugir do rigor acadêmico, seguindo as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)”, acrescenta Regiane. Para a mestranda, se os médicos conhecerem profundamente as questões da língua de sinais, como funcionam as questões neurológicas do pensamento do surdo, talvez as orientações sobre o uso da língua de sinais avançassem. Mas Regiane considera difícil pensar no aceite em relação à língua de sinais.